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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Seu Noel, o surtado


Papai Noel estava lendo as centenas de cartas que costuma receber e notou que em várias delas a caligrafia e até os presentes que pediam eram muito parecidos. Desconfiou que as cartas eram da mesma pessoa, então chamou o Miojinho, seu braço direito (e esquerdo também) para saber o que ele achava disso tudo.
Uma pausa. Miojinho merece um parágrafo. Miojinho é um duende do tamanho de um bonsai e tem cabelo em forma de macarrão instantâneo, daí seu apelido. Começou a trabalhar com Papai Noel depois que levou à falência a empresa do pai, dono do maior açougue da cidade. Miojinho era o gerente do negócio e um ótimo administrador, mas estava no lugar errado. Afinal, um açougue comandado por um vegetariano tinha tudo para dar errado. E deu. Muito errado.
— Miojinho! Miojinho! Venha aqui, por favor.
— Fala, chefe!
— Olhe essas cartas. Parece que foram escritas pela mesma pessoa. E em nenhuma delas estão pedindo carrinhos, bonecas e outros brinquedos como sempre pedem todo ano. Estão pedindo coisas de que nunca ouvi falar.
Miojinho pega algumas cartas em cima da mesa para ler e logo tenta se segurar para não rir, mas não consegue.
— HAHAHAHA!
— Por que a risada, Miojinho?
— Ha ha ha! Desculpa, chefe. – já se recompondo – Descobri o mistério. Essas cartas são parecidas porque usaram o mesmo tipo de fonte, mesmo tipo de letra. Foram feitas pelo computador.
— Por Quem? "Computador"? Você o conhece? Por que ele mandaria várias cartas? E que nome estranho. Que mãe daria o nome de "Computador" para seu filho?
— Não, seu Noel. Calma. Computador é uma máquina.
— Máquina?! E desde quando máquina pede presente de Natal? Cadê as cartas das crianças?
A paciência do Miojinho é quase duas vezes o seu tamanho. Ainda assim não é muito, mas o suficiente para tolerar a ignorância do chefe.
— Seu Noel, as cartas foram escritas pelas crianças através de um computador. Elas escrevem nele, depois apertam um botãozinho lá que faz sair um papel com as coisas que elas escreveram. Entendeu?
— Hohohoho! Agora entendi. Funciona como a minha máquina de escrever, não é?
— Sim, só que precisa ligar na tomada.
— Mas quem inventou isso?
— A tomada?
— Não, o computador.
— Foi o...
                    
Antes que pudesse responder, alguém toca a campainha. Era o carteiro com a nova encomenda do Papai Noel, um trenó moderno e personalizado movido a sloq.
O sloq também merece um parágrafo. Sloq é um tipo de combustível derivado de uma substância de mesmo nome. É usado no novo trenó do Papai Noel e substitui o uso das renas voadoras, já que elas foram extintas há alguns anos num episódio conhecido como O Natal de Chuck Norris. Essa substância foi encontrada num dia em que Miojinho estava em casa deprimido, se sentindo no fundo do poço, mas foi exatamente no fundo do poço, literalmente, que ele encontrou uma substância que até os cientistas desconheciam. Miojinho chamou a substância de Sloq, sigla de "Sei Lá O Quê", e passou a fazer experiências com ela. Acabou transformando o Sloq em combustível que só funciona no trenó do Papai Noel.
Papai Noel estava ansioso e já queria sair pilotando o trenó, mas Miojinho logo o alertou:
– Chefe, espera! Não vai ler o manual antes de pilotar o trenó?
– Besteira, Miojinho. E alguém lê manual de pisca-pisca de árvore da Natal? Sobe aí, vamos dar uma volta.
O sensato Miojinho não topou, claro. Então Papai Noel saiu voando sozinho com seu trenó abusando da velocidade e fazendo manobras arriscadas. Não demorou muito para se envolver num acidente. Resultado: ficou mais de uma semana sem conseguir mexer um músculo sequer do rosto, mas o que o consolava era saber que mesmo assim ele tinha mais expressões faciais que o Cigano Igor Ricardo Macchi e a Vera Fischer tiveram em toda carreira televisiva até agora.
Devido ao acidente Papai Noel ficava mais tempo em casa. Nesse período ele descobriu o computador, a internet e o serviço delivery da pizzaria e passou a ter comportamentos estranhos como colocar piercing nos mamilos e tatuar "Merry Christmas" de trás para frente em hieróglifo no antebraço. Agora ele quer atingir a marca de um milhão de seguidores no Twitter.
Para cumprir sua ambiciosa (e inútil) missão ele demitiu sua velha equipe de diabinhos capitalistas, exceto Miojinho, e criou uma empresa de propaganda e marketing para divulgar sua campanha. Sua nova equipe é formada por um hair designer, um assessor de comunicação, um assessor do assessor de comunicação, um vaso de samambaia e Miojinho.
A primeira coisa que seu Noel fez foi acabar com aquela imagem de velhinho sedentário e doente, porque quem anda de gorrinho e blusa em pleno verão não deve estar bem, né?
O hair designer, vulgo cabeleireiro, foi o responsável por aquele novo visual medonho do cabelo do seu Noel. O que antes era branco, agora é azul, roxo e um degradê que vai do verde-uva ao verde-abacate. Mas foi do próprio Noel a brilhante ideia de trocar o tradicional pijamão vermelho por uma roupa mais confortável para o clima daqui. Agora ele se veste como um surfista e frequenta festa estranha com gente esquisita com Eduardo e Mônica, seus únicos seguidores no Twitter até agora.
A assessoria de Comunicação conta com uma dupla de assessores. No currículo consta que eles são co-autores do polêmico livro "O verdadeiro ponto G". Segundo eles, que se autodenominam "mestres das cantadas", o ponto G fica no ouvido. O livro contém histórias vividas pelos autores desde o tempo dos bailinhos adolescentes que eles organizavam quando os pais não estavam em casa. O prefácio do livro é assinado por um geógrafo que sempre acreditou que as coordenadas do Ponto G fossem um pouco mais abaixo. O livro ainda vem com um soneto do Vinícius de Moraes e um CD com as melhores músicas clichês de temas românticos. Tão clichê que das 14 músicas, 13 tem no título palavras derivadas de "love". A outra canção se chama "Liebe auf den ersten Blick", que significa "amor à primeira vista" em alemão.
Miojinho e o vaso de samambaia não fazem nada, só dão despesa na empresa do senhor Noel. Miojinho consome café e a samambaia consome água. Às vezes os dois consomem adubo.
Na madrugada do dia 21/12/12 Miojinho estava dormindo, mas foi acordado com o toque do telefone. "Quem será a essa hora?", resmungava. E foi cambaleando de sono até a sala para atender ao telefone.
— Alô? – disse Miojinho com voz fraca, bocejando.
— Alô, Miojinho! Sou eu, o Papai Noel.
— Pô, chefe! Sacanagem ligar agora. Sabe que horas são?
— Não. Não importa, o mundo acaba hoje e isso pode acontecer a qualquer momento.
— Não acredito que me ligou pra dizer isso. O senhor devia parar de ficar lendo besteira na internet.
— Você não está com medo?
— Não. Estou com sono.
— Mas o mundo vai acabar.
— Não. Não vai.
— Vai sim. E a gente precisa fazer alguma coisa.
— Ta bom, ta bom. A gente pode resolver isso mais tarde? Agora eu preciso dormir.
— Não, Miojinho, mais tarde pode ser tarde demais.
— Escuta aqui, seu Noel. O mundo não vai acabar. Sério.
— Como você sabe?
Miojinho faz uma pausa respirando fundo pensando numa explicação para que o QI do Papai Noel assimilasse as informações. Miojinho sabia que Papai Noel era teimoso e, como achou que a explicação seria demorada demais, resolveu inventar uma outra história para convencê-lo a parar de encher o saco.
— Seu Noel, pense. Que horas são agora?
— Aqui na tela do computador diz que são 2h34min.
— Certo. O senhor sabe que o planeta tem fusos horários, não sabe?
— Sim. Mas o que isso tem a ver?
— Seu Noel, se aqui são 2:34, lá no Japão já são 14:34. Se o mundo acabar, vai acabar primeiro lá e a gente vai ficar sabendo. Aqui no Brasil é tudo atrasado, até o relógio.
— Miojinho, não estou entendendo.
— Seu Noel, os zóinhos puxados estão 12 horas adiantados e estão vivos ainda. Se o mundo acabasse agora, às 14:34 lá, aqui ainda seriam 2:34. Então teríamos 12 horas pra fazer um monte de coisas antes do fim do mundo, inclusive dormir.
— Puxa! Como não pensei nisso antes! Miojinho, você é um gênio!
— Ta, ta bom. Posso dormir agora?
— Sim. E desculpa por te acordar...
— Tudo bem, seu Noel. Agora preciso dormir.
— To mais tranquilo agora.
— Eu também. Vou até dormir agora, e o senhor deveria fazer o mesmo. Sai dessa internet, seu Noel.
— Ok. Já faz sete horas que estou conectado. Vou dormir um pouco. Boa noite, Miojinho.
— Boa noite, seu Noel.
Os dois desligam o telefone. Miojinho volta pra cama rindo e pensando: "não acredito que ele caiu nessa". Há quilômetros dali Papai Noel desligava o computador e se debruçava ali mesmo na mesa para um cochilo.
Guigo é autor do blog www.doiscuringas.blogspot.com e deveria ter divulgado esse texto antes do Natal. Há boatos de que Chuck Norris e aquele grupo de escoteiros mexicanos reaparecerão na última parte da trilogia a ser lançada no próximo Natal. Steven Seagal também foi cotado, mas alegou que, do mesmo modo que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, dois machões não podem ocupar a mesma página no livro. 

domingo, 29 de abril de 2012

Uma conversa colorida

Em um ponto de ônibus de uma cidade qualquer, terça-feira, 6h07min:

— Bom dia!
— Bom dia.
— O ônibus para o centro já passou?
— Ainda não.

Silêncio. Alguns minutos depois ele tenta puxar assunto para se distrair enquanto o ônibus não chega.

— Tá frio hoje, né?
— Pois é.
— E essa chuva que não passa...
— Pois é.

Por um momento pensou que o outro não estivesse tão a fim de papo, mas falar sobre o tempo não era mesmo um assunto interessante. Tentou de novo:

— Olha aquele cara passando do outro lado da rua. Você não acha que esse negócio de usar camisa rosa é coisa de veado?
— Não. O cara tem que ser muito macho pra usar camisa rosa.
— Pra mim é coisa de veado.
— O cara é esperto, ele sabe que rosa chama atenção da mulherada. Às vezes chama atenção de alguns "homens" também, mas...
— Sei. Só se chamar atenção de um veadinho.
— Então... chamou a sua atenção.
— Sai fora! Meu negócio é mulher.
— Então pára de olhar pra ele, senão vão achar que você está paquerando o "veadinho".
— Sai fora. To olhando porque é ridículo, pra sacanear só.
— E aquilo não é rosa, é salmão.
— Quê!?
— Salmão. Não existe só verde, amarelo, azul... Tem ainda malva, fúcsia e...
— Fu... o quê?
— Fúcsia.
— Ah! Vá se fu...
— É fúcsia! – interrompe já prevendo que o outro falaria um palavrão – E ainda tem verde musgo, azul petróleo, bege copacabana...
— Peraí! Agora as cores tem nome e sobrenome? "Bege copacabana"!? Cê tá de sacanagem, né?
— Deixa pra lá, meu ônibus chegou. Tenho que ir, José. Tchau! – diz já quase entrando no ônibus.
— Como você sabe meu nome?
— Está escrito na etiqueta anil da sua mala.
— Anil?
— É, anil, aquela cor que tem no arco-íris.
— Mas... mas... peraí... – diz enquanto observa a etiqueta da mala.
— Tchau, José. Prazer em conhecê-lo. Olha lá! Aquele "veadinho" está voltando, acho que ele gostou da sua camisa azul-calcinha. – diz, mentindo só para provocar, enquanto a porta do ônibus se fecha.
— Azul o quê? Hei! Volta aqui seu filho da p...!
Já dentro do ônibus o outro fala pela janela:
— Não me leve a mal, José, mas acho que você deveria ir ao médico para ver se seu problema é daltonismo ou só ignorância mesmo.

E o ônibus partiu. Alguns lá dentro começaram a rir da cena e José começou a ficar vermelho de raiva. Um vermelho sangue, sabe?

Moral da história: sua mãe tinha razão quando dizia para você nunca puxar papo com estranhos, mas não falou nada sobre sacanear estranhos que puxam papo.


Guigo é autor do blog www.doiscuringas.blogspot.com e limita-se apenas ao "bom dia", assim mesmo sem exclamação, quando está no ponto de ônibus. E isso quando está de bom humor.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Quase lá

Eu estava tomando café da manhã quando meu irmão chegou e disse:

— E aí, Guigo! Beleza?

— E aê! — Respondi um pouco sonolento ainda.

Depois de alguns segundos em silêncio puxei um assunto qualquer.

— E então, já fez final naquele jogo (videogame)?

— Não, falta quase.

Fiquei alguns segundos pensando no que ele disse, dei mais um gole no café e perguntei:

— "Falta quase" é mais perto do final do que "falta pouco"?

Começamos a rir e discutimos sobre qual das expressões melhor expressava o que ele queria dizer, mas aí chegou a hora de ir ao trabalho. Faltou pouco para entrarmos num acordo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Natal de Chuck Norris

Um conto policial de Natal cheio de ação do começo ao fim e alguns clichês. ("Ação do começo ao fim" já pode ser um clichê, né? Então esse é o clichê nº 1)

Papai Noel e suas renas voadoras foram perseguidos após denúncia anônima de que os presentes que ele dava eram contrabandeados. Ele fugiu para o Brasil e foi preso por conduzir veículo em alta velocidade. O trenó foi apreendido e doado para uma escola de samba, que o usará num carro alegórico no carnaval de 2010.

As renas voadoras foram levadas para um laboratório e submetidas a alguns exames. Os cientistas tentaram descobrir, sem sucesso, como elas conseguiam voar. As renas foram mantidas num zoológico e iniciaram uma rebelião. A coisa estava ficando tão séria que até deram nome ao movimento. Chamaram de MST – Movimento dos Sem-Trenó.

Na delegacia Papai Noel se negou a falar sobre as mercadorias e deram início a uma operação para encontrar o saco do Papai Noel (sem trocadilho, por favor).

Enquanto cumpria pena num presídio de segurança mínima, Papai Noel escreveu um livro autobiográfico chamado "Meu Saco Não é de Brinquedo" que se tornou um dos mais vendidos tempos depois. Steven Spielberg comprou os direitos do livro recentemente e está produzindo um filme baseado na vida e na obra de Papai Noel. A Eguinha Pocotó (lembram dela?) já foi contratada para fazer o papel de uma das renas.

Devido a uma falha na segurança do zoológico as renas do MST conseguiram fugir e desapareceram. Horas depois elas voltaram com mais renas aliadas e invadiram os galpões das escolas de samba em busca do trenó. Elas recuperaram o veículo e elaboravam um plano para resgatar Papai Noel da prisão.

Chuck Norris, que estava de férias no Brasil, viu no Jornal Nacional o que estava acontecendo e decidiu sair pelas ruas fazendo justiça com as próprias mãos (clichê nº 2). Ele foi acabando com todas as renas que encontrava pelo caminho. Restavam apenas 101 dálmatas renas para caçar e a espécie já corria o risco de extinção.

Ele descobriu o esconderijo delas mais tarde, invadindo o local dando um salto duplo mortal carpado e com apenas um golpe, o incrível roundhouse kick, acabou com todas as renas sem levar uma porrada sequer durante o combate (clichês nº 3 e nº 4).

Depois de empalhar todas as renas ele encontrou o saco do Papai Noel. Chuck Norris caminhava lentamente em direção ao saco quando, de repente, o saco pulou em suas mãos e se abriu sozinho, afinal, até objetos inanimados tem medo de Chuck Norris. No saco ele encontrou um Playstation 3, duas pizzas, um ninho de mafagafos com cinco mafagafinhos, um saca-rolhas elétrico, um pote de castanha da Índia Atalaia, quatro ingressos para o show do Belo e um DVD pirata da banda Calypso que ele destruiu porque Chuck Norris é contra a pirataria (clichê nº 5)

Polícia Federal, SWAT, FBI e um grupo de escoteiros mexicanos chegaram ao local depois que tudo já tinha sido resolvido (clichê nº 6).

No rádio de uma das viaturas estava tocando música do Belo, então Chuck Norris encarou a viatura e o rádio se desligou sozinho, os farois estouraram, a sirene explodiu e os pneus murcharam, inclusive o estepe. (Eu disse que qualquer coisa tem medo de Chuck Norris...).

Chuck pegou um dos ingressos do show do Belo que estava no saco, ficou alguns segundos olhando para ele e em seguida fixou o olhar para o horizonte (clichê nº 7). Então ele guardou o ingresso no bolso e saiu do local levando também o saco do Papai Noel.


O GRANDE FINAL
Chuck Norris foi até o presídio e destruiu a cela onde estava Papai Noel. Sem tirar o olho do velhinho, Chuck Norris abriu o saco e fez um gesto com a cabeça para que Papai Noel pulasse lá dentro. Papai Noel foi amarrado no saco e Chuck Norris agora o usa como saco de pancadas na academia que ele frequenta às segundas, quartas e sextas das 18h às 23:30.


O FINAL ALTERNATIVO (pra quem não gostou do que Chuck Norris fez com Papai Noel)Chuck Norris chegou até o local do show do Belo, viu aquela quantidade de gente e pensou: "Putz! Não vai caber todo mundo no saco."

Chuck Norris então decidiu voltar ao presídio e pedir ajuda ao Papai Noel. Juntos construíram um imenso saco onde caberiam todos aqueles com QI abaixo de 30 existentes no mundo.

Papai Noel e Chuck Norris se tornaram grandes amigos e todo Natal trocam presentes. Papai Noel, por exemplo, ganhou um barbeador elétrico, mas evidentemente não vai usar. E só para sacanear, Papai Noel deu a Chuck Norris um panetone, mas todo mundo sabe que Chuck Norris odeia panetone. Ele acha que esse negócio de comer uma gororoba com frutinhas no meio é coisa de frutinha. Por causa dessa brincadeira sem graça Papai Noel quase foi parar dentro do saco como naquele outro final.

A única dúvida agora é saber quem vai puxar o trenó no próximo Natal, já que Chuck Norris exterminou todas as renas do planeta.