Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Pequenos mal-entendidos, grandes desastres

Papai Noel dando bronca no seu funcionário que deixou um veado entrar na garagem onde fica guardada a coleção de trenós:

- Já disse que não quero veados em trenós, entendeu?

- Sim senhor.

- Eles estragam tudo. Se isso acontecer de novo, vou demitir.

Nesse momento passou por ali outro funcionário e ouviu a conversa. Rapidamente foi contar aos outros colegas o que tinha escutado:

- Gente! Que babado! Ouvi o chefe dizer que não quer veados ENTRE NÓS. Que absurdo, gente! Vamos processar, fazer campanha no Facebook e nos grupos de WhatsApp.

E começou a Terceira Guerra Mundial.






sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Dica de economia do Guigo que (quase) ninguém segue - Parte I

Em vez de esperar chegar o fim do mês para depositar na poupança o que sobrou do seu salário, aplique um valor logo no início do mês, antes de começar a pagar suas contas. Assim você já vai aprendendo a se virar com o que tem e tenderá a não gastar com bobeiras, pois não verá aquela graninha que ainda deveria estar na conta corrente.

É isso.

Na "Dica de Economia do Guigo que (quase) ninguém segue - Parte XXIII" você já saberá o básico sobre educação financeira e já será chamado de avarento, sovina ou pão-duro pelos amigos. Encare como um elogio.

Na "Dica de economia do Guigo que (quase) ninguém segue - Parte MMDCCXIV" você vai aprender a investir na Bolsa de Valores, mas primeiro vai aprender a ler algarismo romano.

No último módulo você estará apto a mandar seu gerente à m****. Afinal, ele nunca fará com o seu dinheiro aquilo que ele mesmo não conseguiu fazer com o dele.



Guigo é autor do blog www.doiscuringas.blogspot.com e costuma economizar em tudo, até nas palavras.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Protesto de proporções

Olha que engraçado: protestos nas redes sociais reúnem milhares nas ruas. Protestos nas ruas reúnem milhões nas redes sociais.

Para cada manifestante com um cartaz nas mãos, tem outros mil com as mãos no teclado. Para acabar com um, dê estudo. Para acabar com o outro, tire o wi-fi.



Guigo é autor do blog www.doiscuringas.blogspot.com e foi convidado para uma passeata pelo fim de duplas de sertanejo universitário que rimam "balada" com "mulherada".

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Na caixinha do correio


Antes do e-mail existia a carta. Antes da carta existia o pombo-correio. Antes do pombo-correio a coisa funcionava no grito mesmo e a mensagem não costumava ir muito longe. Óbvio.
                                                                                                             
O tempo foi passando e aquela carta com selo foi substituída por "@”, o correio passou a ser eletrônico e hoje todo mundo chama de "e-mail" porque está na moda falar inglês. Falando nisso, foi pensando nessa coisa fashion que Zeca Baleiro teve um insight e compôs o “Samba do Approach”.

Uma carta era muito mais interessante que o e-mail que usamos hoje. Nela podíamos reconhecer os amigos através da caligrafia naquele pedaço de papel. Já no e-mail é tudo igual, caracteres em Arial, Times New Roman.... tamanho 10, 12... negrito, itálico... tudo formatado, sem personalidade, sem a cara do remetente. Com a carta podia-se abusar da criatividade e usar papel de cor diferente, cortá-lo, dar formas e até borrifar um perfume, o que permitia que sua avó lá da roça enviasse uma carta manchada de barro e cheirando pasto, por exemplo.

Saber que alguém havia dedicado tempo e atenção para lhe enviar uma carta era muito gratificante e com muito prazer respondíamos. Não é como o e-mail de hoje que se envia de qualquer jeito na correria do dia a dia, pois receber um e-mail nem sempre significa que a pessoa se importe com você. É que clicar em “encaminhar” não custa nada, só isso.

A espera de dias ou meses por uma resposta da sua carta fazia parte da graça da coisa toda. Você ia vivendo sua vida e de repente era surpreendido quando o carteiro chegava. Hoje com o e-mail você já sabe que aquela mensagem que foi para o outro lado do Atlântico será respondida em alguns minutos e a única surpresa será se vier algo além de um “Kkkkkk” como resposta. Mas o e-mail também já está virando coisa do passado.

Havia também as cartinhas das “admiradoras secretas” – algumas delas nem tão secretas assim – que misteriosamente apareciam na caixa de correio de casa ou que eram entregues pelas amigas da “desconhecida”. Hoje com a internet os pobres adolescentes (e alguns adultos que esqueceram de crescer) têm um dossiê completo do alvo da paquera através do Facebook e isso acabou estragando o mistério. Perdeu a graça. Antes da internet e da febre das redes sociais tudo era bem mais divertido, natural e humano.

Guardamos cartas não só como lembrança, mas como uma forma de viajar ao passado e ver detalhes da nossa história que o tempo escondeu numa caixa de sapato empoeirada para então percebermos o quanto amadurecemos durante esses anos todos.

Precisamos de pouco espaço e poucas palavras para dizer o que realmente sentimos. No e-mail temos um espaço praticamente infinito e, como se não bastasse, temos ainda alguns megabytes disponíveis para anexos. Pra quê?

A tecnologia de hoje permite que se fale com qualquer um em qualquer lugar do mundo e até fora dele também, mas a comunicação escrita está cada vez mais fria e menos humana.

Hoje a maioria das pessoas com papel e caneta na mão não faz mais que uma simples lista de compra do supermercado. Fora isso, tudo agora é digitado. E-mail nós enviamos o tempo todo, a qualquer hora, mas, e carta? Quando foi a última vez que você escreveu uma? Aliás, como é a caligrafia do seu amigo? Com certeza não é “Times New Roman”, “Arial”, “Garamond”, “Comic Sans”...

Esse post que você acabou de ler pode ter algo a ver com este outro aqui que fiz no ano passado.



Guigo é autor do blog www.doiscuringas.blogspot.com e colocou uma casinha de cachorro no lugar da caixinha de correio de sua casa. O cachorro se chama “Spam” e é alimentado diariamente com anúncios promocionais, santinhos e ímãs de geladeira da companhia de gás. Dias atrás Spam estava brincando com um sapato e um pedaço de tecido amarelo que, coincidentemente, é da mesma cor do uniforme do carteiro...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Finalmente, ordem e progresso.



Fuleco e a caxirola.


Incrível! A Copa está levando ordem e progresso para vários cantos do país! Pelo menos é o que vejo nas BANDEIRAS penduradas nas janelas, nos carros, na fachada dos prédios e até na roupa do cachorrinho vira-lata na praça.

"Ordem e progresso" não são vendidos separadamente, mas você pode levar os dois pelo preço de um, se é que essas coisas têm preço. Passe ali no camelô e confira.

Chega! Não vou falar mais sobre futebol. Já falei sobre isso nos posts "Lembranças da Copa" e "A (des)graça do futebol".


Guigo é autor do blog www.doiscuringas.blogspot.com e disse que só vai pra Copa se fu...

...Fuleco, o mascote, pegar na caxirola, aquele instrumento musical criado por Carlinhos Brown especialmente para o evento. E você aí pensando besteira.

domingo, 9 de março de 2014

Não é sobre queimar sutiãs


Em algum momento da história da humanidade uma mulher interpretou de outra maneira a palavra “submissão” e ainda fez a cabeça das amigas. Isso não significava que ela tinha que ser “mandada” pelo homem. Submissão era, na verdade, a SUB-MISSÃO, ou talvez a missão SUBsequente, uma missão que completava a outra missão.

Acho que em nenhum momento o homem das cavernas disse que o trabalho da mulher era fácil. Ele só pensava que, sendo ele fisicamente mais forte e resistente para a tarefa, seria encarregado de caçar e trazer alimento para a família. A mulher, tirando vantagem das suas próprias características, mais cuidadosa, delicada, organizada etc, ficava em casa cuidando do filho, da casa e das outras coisas, afinal até hoje elas mesmas vivem dizendo que são capazes de fazer várias atividades ao mesmo tempo, né? Supostamente, as coisas eram levadas aproveitando o melhor da natureza masculina e o melhor da natureza feminina, só isso. É claro que isso não era e não é regra, mas ajuda a entender a história.

Aí veio a revolução industrial, as guerras mundiais, elas queimaram sutiãs e conquistaram o direito ao voto, a independência, o trabalho e o poder, não necessariamente nessa ordem. Até aí, nada de errado. Aliás, parabéns, mulheres, por toda essa conquista. É admirável toda essa trajetória.

Lembrem-se de que era a época da revolução industrial e, consequentemente, acontecia também uma espécie de revolução cultural. Pense no capitalismo: quanto mais gente trabalhando, mais gente com salário. Quanto mais gente com salário, mais gente querendo gastar. Com homens e mulheres trabalhando “fora” a economia girava mais e sem parar. Era tudo o que o tal capitalismo queria.

Hoje o homem não precisa mais caçar, ele paga para alguém caçar, fatiar o animal e ainda colocar os pedaços nas prateleiras do supermercado. A mulher também não precisa mais cuidar de casa. Ela paga pra alguém limpar, passar, cozinhar e ainda cuidar do bicho de estimação. E o filho do casal hoje passa a maior parte do tempo com estranhos e a mãe não sabe por que o filho a chama de “tia" às vezes.

Quando se trabalha fora você pode enrolar o chefe e ficar coçando o saco o dia inteiro. Em casa você não pode fazer isso. Lá, alguém tem que fazer a comida, alguém tem que consertar o chuveiro, alguém tem que dar banho no filho, cuidar do jardim, trocar a lâmpada, proteger o território... Ou você acha que o homem das cavernas mentia pra mulher e ia jogar uma pelada com os amigos ao invés de ensinar o filho a caçar (olha aí uma parte do papel do pai na educação do filho)? Você acha que a mulher dele ficava em casa de bobeira no Facebook fofocando “cazamigas” ao invés de passar um tempo com o filho? Acho que não.


Guigo é autor do blog www.doiscuringas.blogspot.com e afirma que mais da metade das ideias desse post surgiu enquanto conversava e jogava baralho com sua esposa. Segundo ele, os papos durante as partidas servem para distraí-lo enquanto ela trapaceia. Por outro lado, ela acha que tudo isso é desculpa de perdedor.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Feliz aniversário

Segundo a Wikipedia, nasci no mesmo dia que Luciano Huck, Charlie Sheen e Paulo Maluf. Há pouco tempo descobri que Gusttavo Lima também estava nessa lista. Depois que um amigo palhaço também descobriu a coincidência ele passou a me parabenizar cantando o "Tchê tchererê tchê tchê" do sertanejo ao invés do tradicional "parabéns pra você". É uma forma de homenagear o artista e sacanear o amigo ao mesmo tempo.

Fazemos o mesmo com um outro amigo nosso que comemora aniversário no mesmo dia que o cantor Byafra, aquele que foi atropelado por um parapente. É por isso que no seu aniversário nós sempre cantamos "Sonho de Ícaro", cuja letra é tão viajante quanto nosso amigo. Na verdade, se você não entende de mitologia grega, então não conhece a história de Ícaro e é aí que a coisa não fará sentido mesmo. Nem o cara mais drogado do planeta chega a "voar, voar, subir, subir" tanto a ponto de ver "anjos de gás". Nem mesmo num "sonho audaz feito um balão". Não entendeu? Então ouça "Sonho de Ícaro" e preste muita atenção à letra.

Certa vez fizemos a "homenagem" ao nosso amigo numa pizzaria. As outras 40 pessoas do local não faziam ideia do que estava acontecendo, mas foram incentivadas pelo amigo palhaço a entrar na brincadeira. Sobrou até para o tiozinho dos teclados que estava lá fazendo o som ao vivo. A explicação do porquê da música veio só depois das risadas e do suco de laranja que o aniversariante ganhou como cortesia da casa. Se a moda pega...

Considerando que são 7 bilhões de habitantes no mundo e só 365 dias no ano — 366, às vezes —, é bem provável que alguma celebridade também comemore aniversário junto com você. Hoje as chances são ainda maiores, já que até ex-BBB é considerado celebridade. Vá lá na Wikipedia e digite o dia do seu aniversário, mas não leve tão a sério pois tem muita coisa errada na internet. Tem celebridade lá que nasceu duas vezes e em meses diferentes. Nem Chuck Norris conseguiu essa proeza. Falando nisso, a Wikipedia diz que nosso herói Chuck Norris nasceu dia 10 de março de 1940. Exatamente nesse mesmo dia, dezessete anos depois, nasceu Osama bin Laden. Sinistra coincidência entre o bem e o mal.

Nós, os nascidos no dia 3 de setembro, consequentemente estamos no seleto grupo do signo de Virgem, o melhor do zodíaco (e o mais modesto também. Hahaha!). E, vocês sabem, pensamos muito antes de fazer qualquer coisa porque somos observadores, críticos, detalhistas, organizados, eficientes... Enfim, chatos pra cacete na opinião dos outros signos. Mas o que tem de errado em ser um pouco perfeccionista e ter mania de limpeza? Cada signo tem lá sua paranoia.

Ah! Quer saber? É tudo inveja. Afinal, é grande a lista de virginianos que contribuíram e contribuem com seu grandioso talento em prol da humanidade. Estamos em todas as áreas do conhecimento humano, seja na medicina, na educação, na política, no esporte, na música, na literatura, no cinema, em tudo! Vejam só, além de modestos somos humildes.

Na música, por exemplo, não basta fazer uma musiquinha qualquer de sucesso mundial e repetir a fórmula até o fim da carreira. Minha esposa, que é outra virginiana, bem observou que pouquíssimos artistas fazem realmente uma música diferente da outra. Ela citou dois dos maiores exemplos disso: Michael Jackson e Freddie Mercury. E qual o signo deles? Virgem, claro. Você pode até não gostar da voz ou do estilo, mas tem que reconhecer o talento desses artistas virginianos. Ninguém hoje consegue fazer o que eles fizeram. E dificilmente conseguirá.

Quer mais? Na literatura temos Ferreira Gullar; no esporte temos Gustavo Kuerten, Daniele Hypólito e Ronaldo; na comédia temos Marcelo Adnet e Damon Wayans (o Michael Kyle da série "Eu, a Patroa e as Crianças"); no jornalismo temos Fátima Bernardes; na educação tivemos Paulo Freire; na dramaturgia, Nelson Rodrigues e agora Wolf Maya, diretor de núcleo da atual novela das nove, a "Amor à Vida" que você assiste, eu sei.

E tem muito mais: Paulo Autran, Angeli, Tim Burton, Madre Teresa de Calcutá (Nobel da Paz), Barry White, Keanu Reeves, Salma Hayek, Beyoncé, Andréa Beltrão, Fernanda Torres, Hugh Grant, Adam Sandler, Carolina Dieckmann, Andrea Bocelli, Barry Gibb (Bee Gees), Gene Simmons (Kiss), Roger (do Ultrage a Rigor e membro do Mensa International, dos caras com QI elevado), Malu Mader, Peter Cetera, Gloria Stefan, Arnaldo Antunes, Daniel (cantor), Morten Harket (vocalista do A-ha), Toni Garrido, Alessandra Negrini, Cameron Diaz, Cássio Gabus Mendes, Roger Waters, Leandra Leal, Maria Rita, Jason Statham, Leci Brandão, Laura Cardoso, David Copperfield, Fernanda Vasconcelos, Brian de Palma, Luana Piovani, Michael Bublé, Fernanda Abreu, Sophia Loren, Paulo Beti, Colin Firth, Amy Winehouse, Paula Fernandes, B. B. King, Gonzaguinha...

É claro, tem sempre um ou outro para abalar toda a estrutura da nossa reputação virginiana. Quis o destino, vulgo azar, que o estilista Ronaldo Ésper também fosse virginiano. O cara foi detido uma vez por tentar roubar vasos de um cemitério. Ah, e ele ainda tinha um quadro no programa Superpop. Não sei qual das duas situações era mais vergonhosa.

E tem aquele caso do Frank Aguiar, outro virginiano. Bem, o cara é formado em Direito, pós-graduado e tal. Acho que entrou nessa de forró só pra ganhar dinheiro. Virginiano esperto.


Guigo é autor do blog www.doiscuringas.blogspot.com, é do signo de Virgem com ascendente lá no raio que o parta e não gosta de frutas no recheio de bolo de aniversário. Tá bom, coco pode.

domingo, 25 de agosto de 2013

MacGyver, o canivete e o celular



Se você passou pelas décadas de 1980 e 1990, talvez tenha assistido aos Trapalhões no cinema, talvez tenha gravado uns clipes da MTV no videocassete, talvez tenha reparado que Michael Jackson estava mudando de cor com o passar dos anos e certamente conheceu MacGyver, o mestre da adaptação técnica provisória. Em outras palavras, o rei da gambiarra.

Ele era o protagonista de uma série de TV conhecida aqui no Brasil como "Profissão: Perigo" na qual escapava das encrencas sem abusar da violência usando apenas um canivete suíço e objetos que "coincidentemente" sempre estavam disponíveis na cena quando ele mais precisava.


Abertura da série na Globo e a clássica trilha sonora, "Tom Sawyer", dos canadenses da banda Rush.

Para se ter uma ideia das suas proezas, certa vez MacGyver parou um vazamento químico usando chocolate. Isso mesmo, chocolate! É por façanhas assim, possíveis para alguns, improváveis para outros, que até hoje o cara inspira piadas nonsenses por aí, como aquela em que MacGyver escapa do deserto usando uma laranja.

Não conhece? Bem, sou péssimo para piadas, mas vou contar assim mesmo: "Sabe como MacGyver escapou de um deserto usando só uma laranja? Ele sabia que a laranja tinha vitamina, então separou a "vita" da palavra "vitamina" e usou a mina para explodir a areia e causar um terremoto. Então ele separou o "terre" da palavra "terremoto", ficou com a moto e foi embora".

Pronto! Agora é a parte em que você deveria rir. Eu disse que sou ruim com piadas.

Mas MacGyver não faz mais sucesso como antigamente. As pessoas já não se identificam tanto assim com ele, pois não costumam sair por aí carregando um canivete suíço no bolso. Ao invés disso, elas carregam um celular que, assim como o canivete suíço, é capaz de fazer um monte de coisas, mas nada direito. Afinal, usar o saca-rolha do canivete é tão prático quanto fazer uma ligação de celular num dia chuvoso na roça onde não tem nem energia elétrica.

Mesmo com tudo o que um celular pode fazer por você, ele não seria tão útil em situações de desespero. Imagine você e um celular num rio cheio de crocodilos. O que você faz? Toca uma musiquinha da sua playlist para acalmar os bichos? Talvez Enya funcione. Que tal um joguinho para distrai-los? Tem Angry Birds nessa merda aí? Não? Então melhor sair correndo, ou melhor, nadando.

A tecnologia transformou o celular numa espécie de "canivete suíço digital" com centenas de funções que mal usamos. O celular de hoje informa as horas, tira foto, filma e vem com despertador, rádio, TV, calculadora, bluetooth, lanterna, cronômetro, agenda, toca mp3, acessa a internet, recebe sms com dicas de dieta, de paquera e o escambau e ainda faz ligações. Só não faz café da manhã e enche pneu da bicicleta, mas um dia ele chega lá.

Hoje basta apertar um botãzinho que o universo faz o resto para você, não precisamos pensar muito. Às vezes, não precisamos nem pensar. Mas na época do MacGyver ele precisava, pois não bastava ter a ferramenta sempre a mão, era preciso ter conhecimento prático das coisas para saber aplicá-lo da melhor forma possível.

Embora a evolução tecnológica esteja aí para facilitar nossas vidas, às vezes não sei se estão pensando mais no nosso conforto ou na nossa preguiça. Muitos hoje não exercitam os músculos nem para fechar o vidro da janela do carro, pois, como já disse, é só apertar um botãozinho que o universo faz o resto pra você. Se projetaram algo para que você não exercite os bíceps, saiba que antes disso projetaram muitas outras coisas para que você não exercite o cérebro. Existe aí uma fronteira bem frágil entre comodidade, preguiça e luxo.

Quase que paradoxalmente, o dono do carro gasta dinheiro com academia para exercitar os músculos que ele poupou ao apertar o botão do vidro elétrico. E pensar que a janela do fusca do seu avô é à manivela e ninguém nunca reclamou disso. Só falta agora o acesso da academia do cidadão aí ser equipado com escada rolante. Pô! Se é pra fazer exercício, que chegue já se exercitando, né?

Hoje MacGyver trabalha num escritório com pessoas com 1/4 do seu QI que só sabem fofocar e desperdiçar material. Sua consciência sustentável – que ele já tinha muito antes disso virar moda – o faz pegar todo lixo reciclável para reaproveitá-lo em outra coisa, assim como fazia no auge da sua carreira. Por exemplo, a caneta Bic que ele achou no lixo semana passada foi desmontada e a tampa dela agora é um extrator de grampo; a tinta foi para a almofadinha do carimbo; e a carcaça ele usa como zarabatana pra sacanear as meninas lá da recepção.

Pausa para explicar o que é uma zarabatana àqueles que nunca brincaram de ninja ou de índio na infância. Zarabatana é um canudo pelo qual se arremessa, com um sopro, bolinhas de papel e outras coisas que sua mente fértil permitir. Se quiser saber mais sobre o objeto e suas aplicações, pergunte ao Google, ou ao sobrinho do MacGyver que levou suspensão na escola por ter acertado a professora com o brinquedo do tio.

Se o agente MacGyver foi capaz de evitar um desastre usando só um canivete e um chocolate lá na década de 1980, imagine o que ele faria hoje com as peças de um Xbox e um iPhone.



Guigo é autor do blog www.doiscuringas.blogspot.com  e quando criança fez uma autópsia num Atari e usou as peças do videogame para criar uma torradeira e um mecanismo para que a vitrola tocasse o disco da Xuxa ao contrário. Sobrou só o fio do joystick que ele deu para a vizinha usar como varal, mas ela preferia usar como chicote quando os filhos faziam besteira.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Quantos relógios você tem?

Aviso: Os sortudos (ou azarados) que estão há mais tempo na minha lista de e-mails talvez reconheçam parte deste texto que já tinha sido publicado no blog. Decidi republicar porque fiz algumas alterações. Sim, eu posso fazer isso porque o texto é meu. Eu sou o autor e o editor. E o chato, às vezes.

+


Num passado não muito distante havia mais pessoas que usavam relógio de pulso, uma ferramenta que, como sugere o nome, se prende ao punho (e não ao "pulso", como dizem) e nos auxilia na organização do tempo na correria do dia a dia.


"Ferramenta", aliás, é coisa do passado, a moda agora é chamar tudo de "aplicativo".

Depois inventaram o celular. Ele faz e recebe ligações, também possui relógio e mais alguns "aplicativos". Sem querer, o relógio de pulso foi perdendo sua função principal – a de informar as horas – e passou a ser só uma peça do vestuário com a mesma função das bijuterias, que é a de enfeitar o corpo.

Mas hoje você não precisa tirar o celular do bolso para saber as horas, basta perguntar para qualquer mané na rua olhar para o painel do carro, para os parquímetros espalhados pela cidade, para o relógio de parede na cozinha... Tem relógio até no microondas, na TV e aí no canto da sua tela.

Nada contra aquele que usa relógio de pulso e ao mesmo tempo consulta as horas no celular. Se o cara não liga de ter dois relógios para ajustar para o horário de verão, ou de ter duas vezes mais chances de alguém na rua perguntar as horas, o problema é dele. E daí?

Aliás, estou vendendo meu relógio de pulso. Ele é muito bom! Você pode consultar as horas quando e onde quiser, até debaixo d’água. Ele vem com alarmes, cronômetro e informa as horas, os dias da semana, o mês e também o ano. Tudo em perfeita sincronia e em tempo real.

É único, pois há uma marca no visor que você não encontrará em nenhum outro relógio no mundo. Trata-se de um minúsculo e charmoso arranhão em forma de aspas. Além disso, ele permite que você troque a pulseira sempre que estragar quiser. Combina com todas as suas roupas e funciona como um ótimo acessório de moda.

É uma máquina de ponteiros praticamente indestrutível. Resistente a sol, chuva, neve, radiação, tsunami, furacão, avalanche e terremoto até 8,6 graus na escala Richter. Se não suportar tudo isso eu garanto a devolução do seu dinheiro.

E se você ligar agora mesmo receberá inteiramente grátis uma bateria já instalada e o relógio ajustado para o fuso horário de onde você estiver. Tudo para você já sair por aí usando seu (semi)novo relógio de pulso.

Ligue agora mesmo e não perca essa oportunidade!

Já percebeu que ninguém mais vende coisas usadas? Todo o mundo vende seminovos. É a propaganda e o eufemismo andando de mãos dadas.

Guigo é autor do blog www.doiscuringas.blogspot.com e percebeu que as ferramentas mais usadas do seu celular, além do óbvio (telefone e relógio), são: despertador, mp3 player, calendário e calculadora. É por isso que sua consciência o impede de gastar investir mais que R$ 180,00 num aparelho desses.

sábado, 11 de maio de 2013

Amores



Qualquer um pode explorar as emoções usando o amor como tema. O cinema faz isso em duas horas e a música consegue o mesmo resultado em quatro minutos. Já a poesia consegue arrancar uma lágrima e um sorriso em poucos segundos.

Cheguei à conclusão de que, quanto menos tempo você precisar para falar sobre o assunto, mais fácil perceber o que esse tal de amor significa. Na verdade o que conta aqui não é o tempo, mas a intensidade. Por isso um simples olhar, apesar de silencioso e sutil, pode ser tão poderoso.

Dizem que existem vários tipos de amor. Já ouviu falar, por exemplo, de amor platônico?

Eu sei que sim, caro leitor. Tenho quase certeza de que você até já viveu um e é exatamente por isso que sei que você vai até o fim desse texto.

Amor platônico é aquele que normalmente acontece na adolescência, numa época em que não se sabe direito o que é amor, quem foi Platão e muito menos o que uma coisa tem a ver com outra. Aí um dia você descobre que o cara era um filósofo que dizia que o amor era uma mistura de realidade e fantasia sobre uma pessoa idealizada num tipo de relação sem envolvimento, sem contato, sem nada. Então você traduz tudo isso como se fosse um amor à distância e começa a desconfiar de que Platão era só um moleque inseguro e tímido que vivia no Facebook e não era macho o suficiente para chegar numa garota e convidá-la para um cineminha.

Será que esse mané ficou famoso só porque tinha um tipo de amor batizado com seu nome?

Quando você está prestes a abandonar de vez essa ladainha de amor platônico o Destino vem e lhe apresenta a Paixão. Pronto! Começa aqui o capítulo mais novela mexicana da sua vida com direito a trilha sonora e tudo mais.

Ah! A paixão. Ela funciona como as estações do ano: se não fosse pela data não saberíamos ao certo quando uma estação começa e outra termina, mas de alguma forma sentimos que uma delas está por perto.

A estação nos confunde às vezes. Você sente frio, mas não é inverno; a temperatura sobe, mas não é verão. E um dia a estação vai embora e tentamos esquecê-la.

Mas ela volta.

Volta diferente, talvez mais intensa, talvez menos, talvez mais bonita, mas nunca passará despercebida.

E o tempo passa com você mais experiente, maduro e percebendo que o conceito daquele amor filosófico era perda de tempo. Então você resolve deixar Platão e toda a sua filosofia de lado para se dedicar às outras disciplinas dessa escola dos sentimentos: a química do amor, a física do amor e também a biologia e a matemática do amor. É quando tudo começa a ficar realmente interessante, mas também mais complicado porque você encara todas essas matérias ao mesmo tempo. Mas o esforço vale a pena.

Infelizmente alguns abandonam o barco e passam a viver uma vida de ilusões. É por isso que há muita gente carente sozinha por aí ajudando autores de livros de sexo autoajuda a subirem no ranking dos mais vendidos.

Se você insiste em encontrar alguém que te "complete", esqueça. Acho que seu conceito sobre relacionamentos está distorcido. Deve ser por isso que seus relacionamentos não dão certo e você deve ser um daqueles que começa um namoro achando que não vai ter tempo para os amigos, que vai deixar de fazer as coisas que fazia antes etc. Saiba que não é bem assim que as coisas funcionam.

Provavelmente você é mais um daqueles que passa muito tempo na frente da TV engordando chorando com finais de filme mela cueca e vive torcendo para um final feliz daquele casal "chove-não-molha" da novela das nove.

Espero que você saia dessa e possa rir disso tudo um dia. Espero que nesse dia venha outra estação e você encontre alguém para que possam aprender algo um com o outro e também juntos, mas não espere que esse alguém satisfaça todas as suas necessidades.

Entenda que ninguém mudará sua vida radicalmente. É claro que alguma coisa vai mudar, mas você continuará sendo você, só que melhor. Com um pouco de tempo vocês ampliarão seus horizontes e essa pessoa fará você compreender que o amor é outra coisa e que... o quê mesmo? Ah! Deixa pra lá, esse papo está ficando muito piegas.


Guigo é autor do blog www.doiscuringas.blogspot.com e professor de arco e flecha do cupido.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Propaganda enganosa?


Como não sou um robô, costumo reservar uns minutinhos no trabalho para esticar as pernas e ir até a cozinha beber água ou comer alguma coisa. Dias atrás levei um pacote de bolacha e tive uma surpresa.

Não sei se podemos chamar de "recheio de brigadeiro" algo que tenha apenas um grãozinho de chocolate tipo granulado. Parece piada, mas não é. Veja abaixo o que encontrei.




Outros biscoitos vieram com vestígios de que uns granulados deveriam estar ali.




Propaganda enganosa? Vamos analisar melhor o caso.

Na embalagem estava escrito "Biscoito recheado sabor brigadeiro", assim, frase no singular. E havia mesmo UM, e somente UM, biscoito realmente recheado sabor brigadeiro que, aliás, parecia até mais recheado que aquele mostrado na embalagem. Compare.




O curioso é que as "imagens meramente ilustrativas" que a gente vê por aí costumam ser mais atraentes (e enganosas) que o produto em si, mas nesse caso parece que ocorreu o contrário.

Logo, a propaganda enganosa aqui talvez não seja o brigadeiro. A única coisa que percebi de "enganação" foi o detalhe da borda do biscoito que está no sentido contrário ao mostrado na embalagem. Mas e daí? Isso não faz diferença no sabor, nem no preço. Quase ninguém percebe.

Agora pare e pense: se um produto fosse bom mesmo, a embalagem poderia ser transparente para o consumidor ver o conteúdo, principalmente quando o produto é um alimento. As histórias de "nova embalagem" que anunciam não me convencem se não for possível ver o que estou comprando. Acho até que investem (ou gastam) muito em embalagem de maneira não muito eficiente. Olha a quantidade de cores! Deve haver um outro jeito de chamar a atenção do consumidor em meio aos concorrentes na prateleira do supermercado.

Talvez o fato de a embalagem ser opaca tenha alguma relação com a conservação do produto. Talvez a exposição à luz afete a cor, a textura, o sabor, sei lá. Mas se a coisa já é industrializada, cheia de química no processo de fabricação com aromatizantes, conservantes e tantos "antes", não vai ser uma mera exposição do produto que vai causar um problema ao seu organismo. Você não vai morrer por causa de uma bolachinha que comeu só uma ou duas vezes. Eu ficaria mais preocupado com a água que você toma todo dia. Pesquise no Google.
O que importa é que, apesar de não ser tão saudável quanto a maçã que eu levo quase todo dia ao trabalho, aquela bolacha distraiu minha fome até o horário do almoço mais tarde. E ainda sobrou metade do pacotinho para o dia seguinte.

Vai uma bolachinha aí?


Guigo é autor do blog www.doiscuringas.blogspot.com e acorda cedo todo dia para preparar o café da manhã. Enquanto ferve a água, ele vai até a varanda pegar o jornal que sempre jogam por engano na sua casa. Aí ele toma café lendo o horóscopo caderno de notícias, as charges e ainda resolve a palavra cruzada quando dá tempo. Ao sair para o trabalho, leva o jornal debaixo do braço e joga na casa do vizinho, que acorda tarde e vive dizendo que vai encher de porrada o desgraçado que fica resolvendo as palavras cruzadas do seu jornal. Esse vizinho lhe disse que os principais suspeitos são os próprios filhos e o Zé Vesguinho, o motoboy que entrega os jornais. Zé Vesguinho sacana!